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14 de setembro de 2011
Confiança
Vi acontecer em Berlim, há oito anos, mas achei que seria uma questão de tempo para os alemães caírem na real. Que bom que me enganei.
A cena se repetiu em Munique. Você compra o bilhete do S-Ban (uma espécie de metrô de superfície) e deve validá-lo na maquininha à entrada da estação. Tudo aberto, não há catracas. De quando em quando, um fiscal entra no vagão, pra verificar se você cumpriu as normas. Se estiver sem o bilhete, ou se não o validou, é multa pesada.
Claro que deve ter gente fraudando. Mas o bacana é que, mesmo com as eventuais trapaças, o recado subliminar seja: “Até que prove o contrário, você merece confiança”.
Luis G.
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17:05
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12 de setembro de 2011
Munique
Coisas de país rico. À saída do aeroporto, notamos que o táxi que nos levará ao hotel é uma quase réplica do Match-5, do Speed Racer. Em via expressa até o centro, alcançava 160, 170 km/h, fácil.
Ao volante, o motorista turco, residente no país há 20 anos, soltava cobras e lagartos contra os alemães.
Dirigir um BMW ou uma Mercedes-Benz é fato banal na Bavária (região mais rica e cara da Alemanha, contam). Tanto que eles são deixados na rua à noite, nenhuma neura em relação a estacionamento.
Na rodovia em direção a Neuschwanstein (o castelo em que Walt Disney se inspirou), além da grata surpresa de ver uma ciclovia longuíssima e mui bem cuidada, ladeando a estrada, carros conversíveis pra todo lado. Num deles, num dia ensolarado, uma loiraça ao volante, cabelo esvoaçante.
Cena como essa, só em filmes do Elvis.
Luis G.
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09:18
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9 de setembro de 2011
Intimidade
As respostas que eu daria, em inglês, às perguntas da imigração alemã estavam pré-formuladas. Ensaiado, o roteiro do que dizer ao oficial de ar sisudo, mas gentil e polido.
Ao desembarcar, a surpresa. O destino era Munique, mas sendo um voo com escala em Madri, o controle se dá na Espanha.
“Hay que sacar los cinturones!”, urrava a oficial espanhola, marchando impaciente de um lado para outro. Meu inocente e casto cinto, vou ter que tirar? Estou magro, afinal; e se a calça cair? Ok, vamos lá.
O oficial me revista, manda esvaziar os bolsos, apalpa aqui e ali. As apalpadelas prosseguem, chegando à região... da virilha. Controlo para não gargalhar, de cócegas. Desconfiava de dólares na cueca? Sei lá. Sei que a verificação foi quase erótica. Melhor nem olhar para o rosto do homem, pensei, vai que é uma paquera.
Aterrissamos em Munique, e cadê o controle de imigração? Nada, portas escancaradas.
A tarefa estará a cargo dos espanhóis por ser uma questão... de pele, um lance assim meio latino? Vá saber.
Luis G.
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07:56
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19 de agosto de 2011
Allez, au revoir!
Luis G.
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18:35
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17 de agosto de 2011
On the road
Desde a nossa chegada à roça, lá se vão quase três anos, a gana de sair viajando, que já não era grande coisa, praticamente virou fumaça. O movimento agora é o inverso: acolhemos os (poucos) dispostos a conhecer e explorar o Brasil profundo.
Mas é saudável, de quando em quando, mudar radicalmente de ideia, e deixar a toca. Em breve, impressões da viagem. Até.
Luis G.
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11:34
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20 de julho de 2011
Flip: final
Nos dias da Festa, hordas por todo lado. Mas bastou caminhar um pouco mais, para ter esta visão do Éden. E, dando um toque final ao meu pasmo: sem música ambiente.
Luis G.
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08:48
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18 de julho de 2011
Flip 3: Autor e obra
Há escritores que encontro pela primeira vez, e a partir do bate-papo, nasce uma enorme curiosidade de ler um livro de sua autoria. Com outros, é exatamente o contrário: a indiferença pré-encontro se transforma numa decisão obstinada de não ir atrás de suas obras. Há ainda os casos em que é melhor se limitar à leitura da obra do autor (degustar o foie gras sem querer conhecer o ganso), pra não correr o risco de espatifar o encanto.
Fato é que meu caso pessoal embaralha qualquer moral: provei o patê e fui atrás da gansa. E deu no que deu.
Luis G.
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15:45
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14 de julho de 2011
Flip 2: O meio-campo
Num evento literário com pelo menos dois participantes, o mediador é “o cara”. O sucesso ou o fracasso de uma mesa pode estar em suas mãos. Isso porque, às vezes, a conversa, por uma série de motivos inexplicáveis, acaba acontecendo com o freio de mão puxado. Faz toda a diferença, neste caso, quem está no meio: sua empatia com quem está conversando, em que medida se preparou para o evento, o elemento-surpresa que acrescenta a uma ou outra pergunta, fugindo ao roteiro pré-estabelecido... é neste momento que a habilidade do profissional fica escancarada.
Mediação refinada acabou tendo a Mulher, na mesa de que participou, com Suppa (ilustradora). Bia Hetzel, editora da Manati, foi o Paulo Henrique Ganso da FlipZona (versão Flip para os teens): mostrou perfeita visão do jogo, distribuiu passes (colocando a plateia/torcida na roda), não deu a nenhuma das duas o monopólio da palavra, levantava a bola redondinha para ambas. Um primor.
Outra escolha precisa foi a de Rodrigo Lacerda para entrevistar João Ubaldo Ribeiro. Patente, a intimidade entre ambos, nada de forçado, um deleite de papo. Um dos melhores momentos da Festa.
Luis G.
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08:31
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13 de julho de 2011
Flip (1)
Mesa com Bartolomeu de Queiroz e Ana Maria Machado. “Bartô”, como é conhecido, faz dois comentários fundamentais. Faço uma paráfrase deles: 1) a literatura é um espaço de liberdade; o grande problema é que esta liberdade não existe na escola de hoje; esta se caracteriza pelo dever, pela obrigação, pela necessidade de medir resultados, o tempo todo. Dentro deste espaço, a literatura, essencialmente livre, fica sufocada; 2) há os leitores para consumo interno e os leitores para consumo externo; os últimos sempre “fazem” algo com aquilo que consomem, usam isso para impor seu saber e sua autoridade sobre os demais.
É de lamentar, o fato de a conversa entre tais autores (e estas ideias) ter sido limitada a um evento da Casa de Cultura local. Embora seja assunto de “gente grande”, não há na Flip um espaço específico para ele. Uma pena, pois: a) é uma discussão que obviamente não se limita ao público consumidor de livros infanto-juvenis (grande parte da plateia era formada por professores da rede), e que poderia muito bem ser tema de um dos eventos principais da Flip, na Tenda dos Autores; b) com isso, é aprofundado o abismo entre os diferentes públicos, uma divisão alimentada pelo preconceito ainda existente, em relação àqueles que “escrevem estes livrinhos para criança”.
Luis G.
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09:47
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12 de julho de 2011
Digerindo
Festa acabada, músicos a pé...
Cinco dias no meio das hordas. Interagindo, vendo palestras, ouvindo, registrando cenas. Para quem sai da roça e vive isso, a sensação é a de ter traçado uma feijoada completa, e repetido o prato.
À digestão, pois. Deixar isso tudo decantar e, em alguns posts, registrar apenas o essencial. Licencinha, vou lá engolir um engov e já volto.
Luis G.
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10:37
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