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4 de junho de 2012
Na varanda
“Esse blog só tem texto, texto e mais texto... Nada de imagens?” Não se desespere, leitora: temos agora uma bugiganga eletrônica que faz umas fotos beeem bacaninhas. O melhor de tudo é que o fotógrafo não precisa entender xongas do riscado, que a foto sai ótima. Voilà, uma pequena amostra de nosso recanto.
Luis G.
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17:44
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1 de junho de 2012
De árvores e bichos
Entre um capítulo e outro do livro que estou traduzindo, dou uma voltinha pelo terreno. Os limoeiros estão absolutamente carregados, haja musse de limão e salada pra temperar. O abacateiro tampouco dá trégua: e dá-lhe vitaminas, saladas etc. Mulher e eu já estamos ganhando um tom de pele meio esverdeado. Os dois pés de mexerica, também quase arreando. Dizemos aos vizinhos: entrem, sirvam-se, podem se lambuzar. Em vão. A passarada chega na frente.
Chego perto do abacateiro, ouço um inconfundível farfalhar de folhas, vou ver... é uma cena inédita: quatro tucanos bailando, pra cá e pra lá. Paro para observar durante cinco looooongos minutos. Dois deles fazem seu lanchinho, traçando os frutos que só poderíamos catar com escada de bombeiro.
Ainda o Mundo Animal. Borboletas, saíras, quero-queros, beija-flores e tucanos: nunca eles estiveram a uma distância tão curta de mim, como nestes últimos meses. Cá pra mim, isso tem um significado que está longe de ser coisa rasa. E que não se traduz com palavras, é preciso sentir. Mas paro por aqui, para não estragar o post, tentando dar explicações racionais ao que a vida tem de melhor: os mistérios.
Chego perto do abacateiro, ouço um inconfundível farfalhar de folhas, vou ver... é uma cena inédita: quatro tucanos bailando, pra cá e pra lá. Paro para observar durante cinco looooongos minutos. Dois deles fazem seu lanchinho, traçando os frutos que só poderíamos catar com escada de bombeiro.
Ainda o Mundo Animal. Borboletas, saíras, quero-queros, beija-flores e tucanos: nunca eles estiveram a uma distância tão curta de mim, como nestes últimos meses. Cá pra mim, isso tem um significado que está longe de ser coisa rasa. E que não se traduz com palavras, é preciso sentir. Mas paro por aqui, para não estragar o post, tentando dar explicações racionais ao que a vida tem de melhor: os mistérios.
Luis G.
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15:49
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24 de abril de 2012
A borboleta azul
Três episódios, uma mesma personagem.
Ano de 1999. Alguns meses depois da morte de meu pai, Tarcísio (mano), Kátia (cunhada) e Dona Chica viajam para a Jureia, levar as cinzas de meu velho. Era o passeio que ele estava querendo muito fazer, e não teve tempo. No lugar, uma mistura exuberante de verde, pedras e mar. No momento em que jogam as cinzas, surge do nada uma borboleta enorme, azul.
Dez anos depois, na chácara onde moramos. Desde que Seu José nos deixou, não tínhamos conseguido reunir todos os (sete) filhos do casal num mesmo almoço. Cada um seguiu seu caminho, três de nós moram fora de Sampa. Naquele sábado, estávamos todos juntos. Saio para o jardim. Ao voltar, abro o portão, e passa adiante de mim uma borboleta azul em voo rasante. Era sua primeira aparição cá no recanto.
Semana passada, varanda de nossa casa. Eu decidira passar adiante grande parte de minha coleção de discos. Entre vinis e cedês, mais de cem discos seguiram caminho. Deixam a poeira da estante para cumprir sua verdadeira função, causar prazer. Um exercício de desapego. Um amigo (colecionador que chega ao ponto de lavar os discos, deixar de molho na bacia etc) veio buscar. Vários discos de música erudita, de MPB, de violão clássico, comprados por Seu José, muito tempo atrás. Fiz a triagem, um por um, me despedindo deles. Sem arrependimento. Pelo contrário: tomado por uma sensação de leveza. Terminada a seleção, quem dá um passeio pela varanda? Claro, ela estava de volta. Com um azul mais brilhante do que nunca.
Sinais do sagrado, que não precisa ser buscado no templo.
Ano de 1999. Alguns meses depois da morte de meu pai, Tarcísio (mano), Kátia (cunhada) e Dona Chica viajam para a Jureia, levar as cinzas de meu velho. Era o passeio que ele estava querendo muito fazer, e não teve tempo. No lugar, uma mistura exuberante de verde, pedras e mar. No momento em que jogam as cinzas, surge do nada uma borboleta enorme, azul.
Dez anos depois, na chácara onde moramos. Desde que Seu José nos deixou, não tínhamos conseguido reunir todos os (sete) filhos do casal num mesmo almoço. Cada um seguiu seu caminho, três de nós moram fora de Sampa. Naquele sábado, estávamos todos juntos. Saio para o jardim. Ao voltar, abro o portão, e passa adiante de mim uma borboleta azul em voo rasante. Era sua primeira aparição cá no recanto.
Semana passada, varanda de nossa casa. Eu decidira passar adiante grande parte de minha coleção de discos. Entre vinis e cedês, mais de cem discos seguiram caminho. Deixam a poeira da estante para cumprir sua verdadeira função, causar prazer. Um exercício de desapego. Um amigo (colecionador que chega ao ponto de lavar os discos, deixar de molho na bacia etc) veio buscar. Vários discos de música erudita, de MPB, de violão clássico, comprados por Seu José, muito tempo atrás. Fiz a triagem, um por um, me despedindo deles. Sem arrependimento. Pelo contrário: tomado por uma sensação de leveza. Terminada a seleção, quem dá um passeio pela varanda? Claro, ela estava de volta. Com um azul mais brilhante do que nunca.
Sinais do sagrado, que não precisa ser buscado no templo.
Luis G.
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7 de fevereiro de 2012
Unplugged
Caminhada de quinze minutos até a cachoeira, para um rápido descarrego. Continuando pela estrada de terra, dois dedos de prosa à beira da cerca com proprietário de terreno (“vendo chácara: 9 mil metros; ou alugo para eventos evangélicos”). Baixinho e parrudo, apara o gramado todo no muque, sozinho. E ainda entrega pão quentim nas casas (para quem vive isolado, a alternativa do Disque-França é perfeita). Prossegue a caminhada, com trilhas no meio da mata. Seis quilômetros depois, estirar-se no sofá da sala de bestar. Ambiente pelo menos 10ºC mais fresco do que o externo.
Fim de tarde, comer jabuticaba no pé (completamente carregado), e fazer mini-colheita antes que os passarinhos façam a rapa, como no ano passado. E um ping-pong na varanda pra tirar a ferrugem.
Os benefícios de uma conexão de internet meia-sola.
Luis G.
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12:02
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15 de novembro de 2011
Três anos
Há exatos três anos, a Mulher e eu, moradores de Sampa, conversávamos numa padoca da Vila Madalena. Sábadão de manhã.
– Que tal darmos uma olhadinha naquela região que conheço, São Lourenço, ver o que há de chácara por ali?
Beleza, pensei ao ouvir. Dali já pegamos estrada.
Entramos na primeira das três chácaras que nos seriam mostradas. Bastou pisarmos na varanda do lugar, o primeiríssimo, sentimos: é aqui mesmo. Fim da busca.
Crau. Agarramos a chance, ali mesmo. Tresloucados desse jeito. Planejamento Zero. Intuição Cem.
E aqui estamos, sem a mínima vontade de largar a vida na roça.
Tin-tim para nós.
Luis G.
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20:33
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8 de setembro de 2011
De volta à roça
Depois de duas semanas de um tremendo lufa-lufa, perambulando por Munique e Paris, volto ao silêncio e ao convívio com a bicharada.
A rigor, falar sobre a viagem é cair no vazio. Nenhuma palavra, imagem nenhuma é capaz de descrever o que vivi nestes dias. O primeiro impulso é me render ao silêncio, deixar isso tudo decantar, ver se sobra algo para ser dito.
Sensação de ter de fazer uma redação com tema livre. Ou pior, com o tema “Minhas férias” (quem não passou por tamanho horror?).
Fato é que não tenho de fazer coisa alguma. Isso me alivia.
No devido tempo, portanto, os posts começarão a pipocar.
Luis G.
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09:03
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26 de abril de 2011
Cat-sitter
Mulher viajando a trabalho, sou convocado para as funções de babá de felino. Mas o que dizer de Valentina, que não seja comentário requentado – daqui, ou da antiga casa virtual? Breves drops.
1. Ela é dotada de uma espécie de sensor: basta que me apareça um trecho mais complicado na tradução (ou revisão), para que os miados beirem a histeria. É o mesmo dispositivo que é ativado assim que colocamos a mão no telefone. Sensor que fica mais apurado com a partida da Mulher.
2. A combinação inapetência + ausência da voz e barriga maternas provoca no animal um estado de regressão (em todas as acepções da palavra).
3. Oportunidade ímpar que a vida lhe atira ao colo: “Mostre como lida com um felino descompensado (taí, o termo do jargão médico a define bem), e dir-te-ei quem és”.
4. Um afago sempre ajuda, mas muita cautela com o efeito "pedra de crack": quando vai ver, o vício já está fora de controle.
Luis G.
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13:59
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20 de abril de 2011
O TGV e o carro de bois
Surge a necessidade de enviar, via e-mail, um arquivo escaneado. Espio o tamanho: 1.700 KB. Hum. Caso de ir pra lan-house, de novo?
Não, vamos lá, a fé não costuma faiá. Sigo os passos, e percebo que dá pra fazer a operação. Mas no ritmo do modem local. Basta esquecer tudo o que você já ouviu falar sobre a tecnologia.
De curioso, cronometro. “Arquivo enviado com sucesso”. Tempo consumido no envio: 15 minutos e 50 segundos.
Ouço de meu mano, um dia depois, que em sua casa em Sampa, a conexão está agora “10 vezes mais rápida”. Imagino-o trampando daqui.
Aqui, a relação entre homem e tecnologia é, simplesmente, outra: você clica em “enviar”, sai, passa um café, capina a horta toda. Ao voltar, está lá, envio quase no final.
“Ansiodorum”, “Passaneuro”, e ansiolíticos afins? Que nada, prescrição das boas é uma temporada de seis meses cá na roça.
PS: Horas depois, tou lá na cidade, lendo diante do coreto, quando passa um rapaz. Apuro os ouvidos: ele está no meio de uma D.R. com a namorada, ao celular. Detalhe: montado num cavalo (meio de transporte comum nestas bandas)! Esta veio pra ilustrar o post.
PS: Horas depois, tou lá na cidade, lendo diante do coreto, quando passa um rapaz. Apuro os ouvidos: ele está no meio de uma D.R. com a namorada, ao celular. Detalhe: montado num cavalo (meio de transporte comum nestas bandas)! Esta veio pra ilustrar o post.
Luis G.
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18:05
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12 de abril de 2011
Drops rurais
Flashes do dia a dia, que fazem o deleite dos sentidos.
1. O azul inclassificável da nova borboleta que invade o pedaço.
2. O voo rasante do tucano, que tira uma fina de minha orelha, enquanto penduro roupas no varal.
3. O galho do abacateiro vem abaixo, com o peso dos frutos. No chão, quatorze deles.
4. Enquanto cantamos em volta da fogueira, uma cigarra decide fazer o contraponto. Só que dentro da casa.
5. O retorno discreto do pica-pau.
6. O inebriante cheiro de grama recém-cortada. Que só se equipara ao aroma de bosta das vacas do curral do kibutz, marca indelével em minha memória olfativa.
Luis G.
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08:30
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28 de março de 2011
Da 5ª marcha ao ponto morto
Visitas em casa, inúmeras partidas de ping-pong, o forno em plena produção de bolos e tortas, banho de cachoeira (a Jacuzzi de luxo que temos, a 15 minutos do recanto), + piquenique, fogueira sob o céu estrelado, violão, percussão e canto.
Ritmo de dar vertigem.
E, súbito, o retorno ao nada. Ao delicioso nada, só rompido, aqui e ali, pela manifestação dos carneiros, cavalos e galo do vizinho (cujos pulmões são de causar inveja).
Luis G.
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18:15
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17 de março de 2011
Um pé
Levando em conta que:
1. O blog anda carente de imagens.
2. O tradutor, de tempo.
3. Sobram tempo e curiosidade para o leitor do blog.
4. Passados dois anos, nosso pé de acerola resolveu mostrar serviço.
Aí vai.
Luis G.
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18:42
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9 de março de 2011
Folia Zero
Eu já havia preparado o espírito. Afinal, seriam quatro dias de esbórnia, e muito baticum, vindo da casa em frente. Esperei. Em vão. Nada. Quatro dias no mais absoluto silêncio. Nem os quero-queros acreditavam.
Junte-se à cena a tevê desligada, et voilà: pronta, e degustada, a receita para o Carnaval dos sonhos.
Luis G.
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10:55
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27 de fevereiro de 2011
Drops
1. No Aliás do Estadão de hoje, instrutiva reportagem para quem vive no campo: raios, o tema. Aprende-se lá que o maior número de atingidos são homens (nada de discriminação de gênero; é pura porralouquice dos machos, que se expõem mais), que a temperatura da descarga chega a 30 mil graus e que andar de bicicleta quando os primeiros estrondos começam, lá em cima, é um excelente convite (mais direto e rápido do que os que terminam com RSVP) para ser fulminado. Como já ouvimos relatos, cá perto, de gente que foi literalmente fritada por esta manifestação da natureza, é matéria a ser guardada.
2. Pé de jabuticada. Depois de um ano de produção meia-boca, servindo de mero tira-gosto para a passarada, desta vez a árvore está absolutamente carregada. A partir de agora, verdadeira farra com jabuts, em tudo quanto é estilo. Ueba. A Mulher ficou de botar, em seu blog, a foto do pé. Confiram lá.
3. Voltamos para casa, noite dessas e, de novo, nada de energia elétrica (leitor já deve estar pedindo: "Eu quero é novidade, neste blog!). Dou uma espiada no céu: forrado de estrelas. Situação que tem certo parentesco com o verso de Tom Zé: "Na vida quem perde o telhado em troca recebe as estrelas". Uma cena - não tenho lembrança de ter visto coisa igual, pelo menos nesta enca(de)rnação - que não se descreve. É como um moteto de Bach, uma canção de Marcio Faraco ou um parágrafo de P.G. Wodehouse (no original; por algum motivo, a tradução deixa de funcionar): há que se passar pela experiência.
2. Pé de jabuticada. Depois de um ano de produção meia-boca, servindo de mero tira-gosto para a passarada, desta vez a árvore está absolutamente carregada. A partir de agora, verdadeira farra com jabuts, em tudo quanto é estilo. Ueba. A Mulher ficou de botar, em seu blog, a foto do pé. Confiram lá.
3. Voltamos para casa, noite dessas e, de novo, nada de energia elétrica (leitor já deve estar pedindo: "Eu quero é novidade, neste blog!). Dou uma espiada no céu: forrado de estrelas. Situação que tem certo parentesco com o verso de Tom Zé: "Na vida quem perde o telhado em troca recebe as estrelas". Uma cena - não tenho lembrança de ter visto coisa igual, pelo menos nesta enca(de)rnação - que não se descreve. É como um moteto de Bach, uma canção de Marcio Faraco ou um parágrafo de P.G. Wodehouse (no original; por algum motivo, a tradução deixa de funcionar): há que se passar pela experiência.
Luis G.
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15:38
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22 de fevereiro de 2011
Tribal
A vantagem de morar nestas bandas é a alternância. Num dia, falta luz. No outro, necas de internet. No seguinte, o celular não tem sinal. Noutro ainda, pifa o sistema de captação da água.
Cena inédita, hoje. Foi como a canção dos Titãs, Tudo ao mesmo tempo agora.
Nossa sorte é que, previdentes, temos um potente djembê em casa. A leitora de meia idade certamente se lembra do gibi do Fantasma: ao chamarem o herói para uma missão na selva, a comunicação era na base do tum-tum-tum.
Estamos chegando lá, caminhando a passos largos na direção deste estágio. Eita!
Cena inédita, hoje. Foi como a canção dos Titãs, Tudo ao mesmo tempo agora.
Nossa sorte é que, previdentes, temos um potente djembê em casa. A leitora de meia idade certamente se lembra do gibi do Fantasma: ao chamarem o herói para uma missão na selva, a comunicação era na base do tum-tum-tum.
Estamos chegando lá, caminhando a passos largos na direção deste estágio. Eita!
Luis G.
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15:43
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14 de fevereiro de 2011
O putz-putz e a jam session
Eles aparecem de quando em quando. Em média, uma vez a cada dois meses. Mas quando chegam, vêm com tudo. Falo de um vizinho nosso, cujos convidados curtem o som das baladas. Nestas, a trilha sonora é house, acid, algo assim. Não sei definir, mas uma onomatopeia que a define bem é o putz-putz. Música que raramente é tocada num volume menor do que o 15.
Mulher, Filhote, um casal de amigos e eu brincávamos num jogo de tabuleiro, quando o “bate-estacas” começou a subir o morro. Teste de resistência para os tímpanos.
Desta vez, porém, eles não contavam com um revide musical. Na varanda, nosso arsenal: atabaque, djembê, violão, reco-reco, agogô e maracas.
O putz-putz não dava sinais de trégua. Súbito, apenas nos entreolhamos. Era o momento. Enfileirados os instrumentos, mandamos brasa. Liderados por Fabiano, na percussão, engatamos um ijexá, produzindo uma massa sonora que deve ter espantado até mesmo o casal de tucanos, habituês do pedaço. Era nossa primeira vez juntos, mas era como se tocássemos há anos. Uma jam na roça.
Deu certo: da banda de lá, o silêncio. Dali em diante, som tocado em um volume civilizado.
Nada como um bom diálogo musical.
Mulher, Filhote, um casal de amigos e eu brincávamos num jogo de tabuleiro, quando o “bate-estacas” começou a subir o morro. Teste de resistência para os tímpanos.
Desta vez, porém, eles não contavam com um revide musical. Na varanda, nosso arsenal: atabaque, djembê, violão, reco-reco, agogô e maracas.
O putz-putz não dava sinais de trégua. Súbito, apenas nos entreolhamos. Era o momento. Enfileirados os instrumentos, mandamos brasa. Liderados por Fabiano, na percussão, engatamos um ijexá, produzindo uma massa sonora que deve ter espantado até mesmo o casal de tucanos, habituês do pedaço. Era nossa primeira vez juntos, mas era como se tocássemos há anos. Uma jam na roça.
Deu certo: da banda de lá, o silêncio. Dali em diante, som tocado em um volume civilizado.
Nada como um bom diálogo musical.
Luis G.
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07:59
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31 de janeiro de 2011
Uma pane
Por aqui, até pane no carro acontece em grande estilo. Cismou de enguiçar na estrada de terra, a pouquíssimos metros de uma cachoeira. A cena: em meio ao breu da madrugada, aguardando a resposta ao S.O.S., Mulher e eu ouvindo o borbulhar das águas e o coro de cigarras. Detalhe: lugar com mato abundante, ali está a sede da CUB, Central Única dos Borrachudos (seção S. Lourenço). Mas nada que uma boa besuntada de repelentes não desse jeito.
Taí, o grande barato da vida no campo: a cada semana, uma novidade. Meu blog definhar por falta de assunto? Virtualmente impossível.
Taí, o grande barato da vida no campo: a cada semana, uma novidade. Meu blog definhar por falta de assunto? Virtualmente impossível.
Luis G.
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12:05
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13 de dezembro de 2010
O ping-pong e a meditação
A palavra “meditação” remete a uma necessária posição de lótus, num retiro espiritual, em completo isolamento. Bobagem: ela pode acontecer em qualquer canto.
Descobri um ótimo espaço para meditar. Cá na varanda de casa.
Jogava ping-pong com um amigo. De início, aquele jogo de comadres, só pra tirar a ferrugem. Minutos depois, o desafio: “Uma partida, a 21?”.
Agora, sim. Bolinha numa velocidade cada vez maior. Tensão e concentração máximas. Bastou ter perdido alguns pontos – e ganhado outros – que logo pintou o insight, uma mini-epifania.
Percebi que quando a atenção é total, e a mente não tem chance de intervir, a probabilidade de conquistar o ponto aumenta de modo vertiginoso, cresce o espaço para a criatividade nas jogadas. O contrário também é verdadeiro: basta o pensamento aparecer, o foco é desviado, e babau: bolinha pra fora, bolinha na rede, o jogo fica mais previsível.
Corre o jogo, e mente nunca fecha a matraca: “Legal, hoje estou bem”, “Putz, preciso tirar essa diferença de pontos”. “Que bela jogada, essa”. “Ops, saque ruim”. O julgamento e as comparações vão surgindo, é o roteiro conhecido.
Basta, porém, tirar dela a oportunidade de tagarelar, para que a partida se transforme no mais belo momento de meditação. Atenção completa. Tão logo o adversário embarca na viagem, ambos passam a rebater com facilidade as cortadas mais violentas. Sem contar a verdadeira inversão de papéis: o oponente se transforma em aliado, já que o foco dos dois é um só, o jogo. A mente é retirada de cena e, com ela, o ego. Sem a interferência do ego, a entrega mútua é completa. Surge espaço para a criação total.
Encontro ecos na frase de um livro: “In order to create, you have to be out of your mind. Literally”. Na passagem para o português, perde-se o essencial: “Para criar, você tem que estar fora de sua mente. Literalmente”. Eis a tradução ao pé da letra. Porém, “out of your mind” tem o sentido de “louco”.
As melhores sacadas – e também os melhores saques – e insights só acontecem quando a mente está quieta. Comum, a situação de ter queimado os miolos com algum problema, e tido a sensação de que nada adiantou: criatividade zero. Silenciada a mente, a solução aparece, cristalina.
Dificuldade de manter o foco? Nós a desatar num trabalho de criação? Vamos lá, qual destas raquetes você prefere?
Luis G.
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13:49
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