Mostrando postagens com marcador língua. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador língua. Mostrar todas as postagens
10 de julho de 2012
Drops
1. Língua. Numa mensagem de e-mail em que Fulano cobrava o atraso na marcação de um exame laboratorial, Sicrano responde, dizendo: “Solicitamos desculpas pelo atraso, mas já está tudo certo”. Hein?
2. Língua (II). Em minha caixa de e-mails: “Translations XYZ está em busca de tradutores. Os interessados estão convidados a carregar seu CV em www.translationsxyz.com”. Sorte que meu CV não pesa muito, benzadeus.
3. Posologia. Quando você se comunica com uma pessoa via e-mail, e lhe diz algo repetidas vezes em relação a uma postura esquisita que ela vem adotando há alguns meses, e nada parece surtir efeito, como administrar o Simancol? Em gotas, drágeas, ou diretamente na veia?
4. Moda. Num trecho do livro que estou traduzindo, a protagonista, de 15 anos, lá pelas tantas vai encontrar seu paquera, e decide vestir “um top leve que, ao mesmo tempo, é esvoaçante e estruturado”. Uau. Até eu chegar nesta expressão, tive de pular miudinho. E continuo com a sensação de que acabo de verter o trecho para o sânscrito.
Luis G.
|
às
11:56
|
Marcadores:
língua,
traduções,
vários
Enviar por e-mail
Postar no blog!
Compartilhar no X
Compartilhar no Facebook
29 de maio de 2012
Cacofonia e humor involuntário
“Com fusão, Azul e Trip garantem 15% do mercado nacional”. (Manchete num portal da internet, ontem).
O que me fez lembrar de uma frase mui boa, que ouvi há alguns anos:
"Atenção, senhores pais e responsáveis!" (Chamada feita pelo alto-falante, pela diretora de uma escola, numa festa de fim de ano).
O que me fez lembrar de uma frase mui boa, que ouvi há alguns anos:
"Atenção, senhores pais e responsáveis!" (Chamada feita pelo alto-falante, pela diretora de uma escola, numa festa de fim de ano).
Luis G.
|
às
11:07
|
Marcadores:
língua
Enviar por e-mail
Postar no blog!
Compartilhar no X
Compartilhar no Facebook
17 de maio de 2012
Sem rodeio (*)
Há instantes, encontrei uma ótima ilustração para meu post de ontem. De Ernani Ssó, escritor, em sua coluna semanal no site Coletiva.net.
“Nos meus tempos de editor, felizmente curtos, me entregaram o romance de um político. Eu devia deixar o texto o mais aceitável possível. Lembro de uma cena, que começava mais ou menos assim: ‘O dia começou a entrar no portal da noite, passo a passo sumindo nas sombras inexoráveis’. Isso continuava por mais umas sessenta linhas. Fiz um xis sobre o parágrafo e anotei: ‘Anoiteceu’. O autor, ao se deparar com minha sugestão, estrilou (...)”
(*) Título alternativo: O Programa Linguiça Zero.
“Nos meus tempos de editor, felizmente curtos, me entregaram o romance de um político. Eu devia deixar o texto o mais aceitável possível. Lembro de uma cena, que começava mais ou menos assim: ‘O dia começou a entrar no portal da noite, passo a passo sumindo nas sombras inexoráveis’. Isso continuava por mais umas sessenta linhas. Fiz um xis sobre o parágrafo e anotei: ‘Anoiteceu’. O autor, ao se deparar com minha sugestão, estrilou (...)”
(*) Título alternativo: O Programa Linguiça Zero.
Luis G.
|
às
10:31
|
Marcadores:
língua,
sincronicidades
Enviar por e-mail
Postar no blog!
Compartilhar no X
Compartilhar no Facebook
16 de maio de 2012
A (falta de) clareza na escrita
Jornal Brasil de Fato – Nos seus textos, é perceptível a intenção de ser entendido. Apesar de muito erudito, sua escrita é simples. Por que esse esforço de ser sempre claro?
Antonio Candido - Acho que a clareza é um respeito pelo próximo, um respeito pelo leitor. Sempre achei, eu e alguns colegas, que, quando se trata de ciências humanas, apesar de serem chamadas de ciências, são ligadas à nossa humanidade, de maneira que não deve haver jargão científico.
***
Defendo que a frase de Antonio Candido (sobretudo a primeira; o grifo é meu) seja colocada em outdoors pelas cidades, em letras garrafais. Que seja veiculada em tudo quanto é mídia, inserida em telejornais, mencionada e comentada pelos professores no início de cada curso, semestre ou ano. Que se torne uma espécie de mantra para todos que lidam com a linguagem escrita.
Isso porque a quantidade de textos obscuros que me têm caído no colo, para revisar, traduzir ou verter para o inglês, tem chegado a níveis alarmantes.
E pensar que estou me referindo, aqui, a indivíduos letrados, com pós-graduações e o escambau...
Mas se têm tal nível de formação, por que tanta obscuridade? Pra que tanto gelo seco no texto (nos shows, ok, cumprem a função de disfarçar visualmente o vazio musical)? Bem, em geral fica nítido que o sujeito não se entende bem com o próprio ego. Aí não tem remédio (Mas tende piedade de nós revisores, Senhor). Muitas vezes, porém, ele simplesmente está ignorando uma regra fundamental para qualquer um que tenha a escrita como ofício: só escreva quando tiver algo relevante a dizer (voilà, acabo de lhes apresentar uma justificativa razoável para os hiatos em meu blog). Caso contrário, aproveite esta excelente oportunidade de ficar calado.
Antonio Candido - Acho que a clareza é um respeito pelo próximo, um respeito pelo leitor. Sempre achei, eu e alguns colegas, que, quando se trata de ciências humanas, apesar de serem chamadas de ciências, são ligadas à nossa humanidade, de maneira que não deve haver jargão científico.
***
Defendo que a frase de Antonio Candido (sobretudo a primeira; o grifo é meu) seja colocada em outdoors pelas cidades, em letras garrafais. Que seja veiculada em tudo quanto é mídia, inserida em telejornais, mencionada e comentada pelos professores no início de cada curso, semestre ou ano. Que se torne uma espécie de mantra para todos que lidam com a linguagem escrita.
Isso porque a quantidade de textos obscuros que me têm caído no colo, para revisar, traduzir ou verter para o inglês, tem chegado a níveis alarmantes.
E pensar que estou me referindo, aqui, a indivíduos letrados, com pós-graduações e o escambau...
Mas se têm tal nível de formação, por que tanta obscuridade? Pra que tanto gelo seco no texto (nos shows, ok, cumprem a função de disfarçar visualmente o vazio musical)? Bem, em geral fica nítido que o sujeito não se entende bem com o próprio ego. Aí não tem remédio (Mas tende piedade de nós revisores, Senhor). Muitas vezes, porém, ele simplesmente está ignorando uma regra fundamental para qualquer um que tenha a escrita como ofício: só escreva quando tiver algo relevante a dizer (voilà, acabo de lhes apresentar uma justificativa razoável para os hiatos em meu blog). Caso contrário, aproveite esta excelente oportunidade de ficar calado.
Luis G.
|
às
09:23
|
Marcadores:
língua
Enviar por e-mail
Postar no blog!
Compartilhar no X
Compartilhar no Facebook
11 de maio de 2012
Um sonho
É quando deparo com os exercícios e as provas de Língua Portuguesa que meu filho tem de enfrentar na 8ª série (e olha que a escola em que ele estuda é altamente conceituada) – e também com alguns (não poucos) textos que me aparecem para revisar – que percebo como este sonho de Sírio Possenti também é o meu. Um sonho que venho alimentando faz tempo.
Luis G.
|
às
12:42
|
Marcadores:
língua
Enviar por e-mail
Postar no blog!
Compartilhar no X
Compartilhar no Facebook
2 de maio de 2012
Lost in translation
“A rubbish collector is driving along a street picking up the wheelie
bins and emptying them into his compactor.
He goes to one house where the bin hasn't been left out, and in the
spirit of kindness, and after having a quick look about for the bin,
he gets out of his truck goes to the front door and knocks.
There's no answer.
Being a kindly and conscientious bloke, he knocks again – much harder.
Eventually a Japanese man comes to the door.
"Harro!" says the Japanese man.
"Gidday, mate! Where's ya bin?" asks the collector.
"I bin on toiret," explains the Japanese bloke, a bit perplexed.
Realising the fellow had misunderstood him, the bin man smiles and tries again.
"No ! No ! Mate, Where's your dust bin?"
"I dust been to toiret, I toll you!'' says the Japanese man, still perplexed.
"Listen," says the collector. "You're misunderstanding me. I mean,
where's your wheelie bin?'
"OK, OK. " replies the Japanese man with a sheepish grin, and whispers
in the collector's ear. "I wheelie bin having sex wiffa wife's sista!"
bins and emptying them into his compactor.
He goes to one house where the bin hasn't been left out, and in the
spirit of kindness, and after having a quick look about for the bin,
he gets out of his truck goes to the front door and knocks.
There's no answer.
Being a kindly and conscientious bloke, he knocks again – much harder.
Eventually a Japanese man comes to the door.
"Harro!" says the Japanese man.
"Gidday, mate! Where's ya bin?" asks the collector.
"I bin on toiret," explains the Japanese bloke, a bit perplexed.
Realising the fellow had misunderstood him, the bin man smiles and tries again.
"No ! No ! Mate, Where's your dust bin?"
"I dust been to toiret, I toll you!'' says the Japanese man, still perplexed.
"Listen," says the collector. "You're misunderstanding me. I mean,
where's your wheelie bin?'
"OK, OK. " replies the Japanese man with a sheepish grin, and whispers
in the collector's ear. "I wheelie bin having sex wiffa wife's sista!"
Luis G.
|
às
15:15
|
Marcadores:
língua,
traduções
Enviar por e-mail
Postar no blog!
Compartilhar no X
Compartilhar no Facebook
22 de março de 2012
Cadê o piloto?
1. Você recebe um e-mail de um cidadão que lhe escreve pela primeira vez: “Bom dia, fulano. Como vai você hoje?” Hein?!? Sacode a cabeça: como assim, hoje?. De que planeta estará escrevendo, o indivíduo? Google Translator strikes again.
2. Você é revisor, e na leitura dos textos (teses, artigos de jornal, revista, não importa: tá tudo dominado), depara com uma profusão de maiúsculas nos títulos de livros, CDs e demais obras. Um exemplo, obra de Woody Allen: Tudo O Que Você Queria Saber Sobre Sexo E Tinha Vergonha De Perguntar. A poluição visual o deixa atordoado, e você vai ceifando as letras, uma a uma.
3. Abre sua caixa de e-mails, e lá encontra um, que vai direto ao assunto: “Gostaríamos de saber de sua disponibilidade para um trabalho de tradução etc etc”. (Em geral, a gramática é bem mais manca do que neste exemplo, mas vá lá). Assim, à queima-roupa, sem olá, sem bom dia, nada. Você não é dado a salamaleques, mas a abordagem lhe põe um pulgão atrás da orelha.
4. Entra na padaria da cidade, onde almoça duas vezes ao mês. Vem o garçom: “Já pediu, meu patrão?” Minutos depois: “Aqui está. Mais alguma coisa, meu patrão?”. Ao final: “Obrigado, até logo, meu patrão”. Você tem o ímpeto de dar o aviso prévio ao cidadão. Justa causa.
5. Regularmente, você recebe e-mails de certa pessoa. Pela 30ª vez, ela não acerta a grafia de seu nome. Seu nome tem apenas 4 letras, e invariavelmente ela erra uma delas, o que significa 25% ! E não estamos falando, aqui, de exemplos extremos (e verídicos), como Christyanne.
Alguma destas cenas do cotidiano tira você do sério? Provoca alguma reação em você? Uma gargalhada, pelo menos? Sei não, a impressão é de que a língua está sendo usada no piloto automático.
2. Você é revisor, e na leitura dos textos (teses, artigos de jornal, revista, não importa: tá tudo dominado), depara com uma profusão de maiúsculas nos títulos de livros, CDs e demais obras. Um exemplo, obra de Woody Allen: Tudo O Que Você Queria Saber Sobre Sexo E Tinha Vergonha De Perguntar. A poluição visual o deixa atordoado, e você vai ceifando as letras, uma a uma.
3. Abre sua caixa de e-mails, e lá encontra um, que vai direto ao assunto: “Gostaríamos de saber de sua disponibilidade para um trabalho de tradução etc etc”. (Em geral, a gramática é bem mais manca do que neste exemplo, mas vá lá). Assim, à queima-roupa, sem olá, sem bom dia, nada. Você não é dado a salamaleques, mas a abordagem lhe põe um pulgão atrás da orelha.
4. Entra na padaria da cidade, onde almoça duas vezes ao mês. Vem o garçom: “Já pediu, meu patrão?” Minutos depois: “Aqui está. Mais alguma coisa, meu patrão?”. Ao final: “Obrigado, até logo, meu patrão”. Você tem o ímpeto de dar o aviso prévio ao cidadão. Justa causa.
5. Regularmente, você recebe e-mails de certa pessoa. Pela 30ª vez, ela não acerta a grafia de seu nome. Seu nome tem apenas 4 letras, e invariavelmente ela erra uma delas, o que significa 25% ! E não estamos falando, aqui, de exemplos extremos (e verídicos), como Christyanne.
Alguma destas cenas do cotidiano tira você do sério? Provoca alguma reação em você? Uma gargalhada, pelo menos? Sei não, a impressão é de que a língua está sendo usada no piloto automático.
Luis G.
|
às
15:25
|
Marcadores:
língua
Enviar por e-mail
Postar no blog!
Compartilhar no X
Compartilhar no Facebook
26 de fevereiro de 2012
A previsão e o aguardo
Ligo para o setor de atendimentos da companhia de seguros da charanga da Mulher, que nos promete enviar o guincho em 1 hora. Quinze minutos depois, recebo o SMS no celular:
“Seguradora xxxxxxx informa. O socorrista Denílson partiu de Taboão da Serra e chegará dentro da previsão.”
Campuseiro, frentista, socorrista... Sufixos tiram leite de pedra em nossa língua, não?
E “previsão” deve ser um lugar bem próximo de “aguardo” (aquele da frase “Fico no aguardo”).
Wim Wenders e aprendenders.
“Seguradora xxxxxxx informa. O socorrista Denílson partiu de Taboão da Serra e chegará dentro da previsão.”
Campuseiro, frentista, socorrista... Sufixos tiram leite de pedra em nossa língua, não?
E “previsão” deve ser um lugar bem próximo de “aguardo” (aquele da frase “Fico no aguardo”).
Wim Wenders e aprendenders.
Luis G.
|
às
17:46
|
Marcadores:
língua
Enviar por e-mail
Postar no blog!
Compartilhar no X
Compartilhar no Facebook
19 de fevereiro de 2012
Estação Terminal
Bato os olhos num texto da área médica, e deparo com o seguinte trecho: “... dentre os 2.500 pacientes operados, 8% deles foram a óbito”.
Hein?
Ok, compreensível que cada área do conhecimento tenha seu jargão específico. Que o digam o juridiquês, o economês, e a linguagem cifrada de várias outras áreas.
Mas... ir a óbito?
Claro que eu não esperava topar com uma frase do tipo “... bateram as botas”, “... abotoaram o pijama de madeira”, “... subiram pro primeiro andar”, “... passaram desta pra melhor”, “... não estão mais entre nós”, ou “... foram ao encontro da Indesejada das Gentes” (e claro que eu daria pulos de alegria, se isso acontecesse).
Ok, mas... ir a óbito?
Devaneios da imaginação: uma estação de trem numa cidadezinha no meio do nada. Na placa caindo aos pedaços, em letras garrafais: “ÓBITO”. Ao fundo, resfolegando, o trem chega trazendo os doentes. Estação Terminal Óbito. Solicitamos a todos que desembarquem nesta estação.
Por que não aprendi a desenhar?
Hein?
Ok, compreensível que cada área do conhecimento tenha seu jargão específico. Que o digam o juridiquês, o economês, e a linguagem cifrada de várias outras áreas.
Mas... ir a óbito?
Claro que eu não esperava topar com uma frase do tipo “... bateram as botas”, “... abotoaram o pijama de madeira”, “... subiram pro primeiro andar”, “... passaram desta pra melhor”, “... não estão mais entre nós”, ou “... foram ao encontro da Indesejada das Gentes” (e claro que eu daria pulos de alegria, se isso acontecesse).
Ok, mas... ir a óbito?
Devaneios da imaginação: uma estação de trem numa cidadezinha no meio do nada. Na placa caindo aos pedaços, em letras garrafais: “ÓBITO”. Ao fundo, resfolegando, o trem chega trazendo os doentes. Estação Terminal Óbito. Solicitamos a todos que desembarquem nesta estação.
Por que não aprendi a desenhar?
Luis G.
|
às
16:23
|
Marcadores:
língua
Enviar por e-mail
Postar no blog!
Compartilhar no X
Compartilhar no Facebook
14 de fevereiro de 2012
Um blog
Descoberta recente, que compartilho: o blog “Sobre palavras”, de Sérgio Rodrigues (do finado e excelente site NoMínimo). Link na relação ao lado. Destaque para o texto “Chamar liquidação de ‘sale’ é coisa de bocó”.
Luis G.
|
às
14:28
|
Marcadores:
língua
Enviar por e-mail
Postar no blog!
Compartilhar no X
Compartilhar no Facebook
11 de janeiro de 2012
Mais uma coisa...
O plano era que o blogueiro estivesse no meio das férias. Fato é que toda decisão que tomo e toda conclusão a que chego acabam tendo uma validade de, em média, meia hora. Se muito. Taí, o grande barato da vida.
Desta vez rolou um episódio que uma amiga classificaria de hot sync. Partilho contigo, leitor.
Mulher e eu assistíamos à TV Cultura, quando começou a passar um clipezinho educativo. Um casal de jovens pescava e papeava. O rapazote fica indignado com o fato de a empregada ter esquecido de colocar o lanche deles na cesta, algo assim. Uma indignação fake, mas ok. Dali a instantes, a garota começa a adverti-lo sobre o uso correto dos pronomes, que ele tinha empregado. Coisas como “eu o vi”, em vez de “eu vi ele” e quejandos. Passou-lhe um pito para que aprendesse como usar corretamente a língua “em situações formais que pedem o uso da norma culta”.
Isso mesmo. Diálogo que aconteceu durante uma pescaria.
Pasmo total. Assombro.
Ok. Dia seguinte, estou navegando à deriva na internet, quando deparo com a prova do vestibular que rolara na véspera. Numa das questões da prova de Língua Portuguesa, uma declaração de Monteiro Lobato:
“A correção da língua é um artificialismo, continuei episcopalmente. O natural é a incorreção. Note que a gramática só se atreve a meter o bico quando escrevemos. Quando falamos, afasta-se para longe, de orelhas murchas”.
Alma lavada, ufa!
Luis G.
|
às
15:29
|
Marcadores:
língua,
sincronicidades
Enviar por e-mail
Postar no blog!
Compartilhar no X
Compartilhar no Facebook
19 de dezembro de 2011
Fast-forward
“It’s as if we become addicted to the satisfaction of knowing. But that knowing doesn’t last for long. We may know about the why of this, but what about the why of that? Fast-forward and we’re left with the why of the world”.
Trecho do livro que estou traduzindo. Ganha um Christmas pudding caseiro quem conseguir traduzir o verbo sublinhado acima usando menos de quatro ou cinco palavras.
Não paro de me surpreender com a concisão da língua inglesa. Saboroso, isso.
E ainda tem quem acredite que as máquinas poderão fazer nosso trabalho. Tsc, tsc...
Luis G.
|
às
11:24
|
Marcadores:
língua,
traduções
Enviar por e-mail
Postar no blog!
Compartilhar no X
Compartilhar no Facebook
28 de setembro de 2011
Estreia...
... nova categoria no blog: n’importe quoi. Literalmente, a expressão francesa significa “qualquer coisa, não importando exatamente o quê”. Mas seu sentido mais comum se aproxima do whatever, em inglês. Em português, nonsense pode servir como sinônimo. Que ainda acho fraco: n’importe quoi sintetiza muito bem a bizarrice de uma situação.
Vamos lá, então. Caetano Veloso inaugura a seção, em grande estilo. Notícia do jornal de hoje:
Caetano tenta vetar 'Tropicália' como nome de condomínio
Caetano Veloso quer impedir o uso do termo "tropicália" para batizar um conjunto de prédios de alto padrão que está sendo erguido pela Odebrecht, em Salvador.
(...)
Caetano Veloso quer impedir o uso do termo "tropicália" para batizar um conjunto de prédios de alto padrão que está sendo erguido pela Odebrecht, em Salvador.
(...)
"Um empreendimento imobiliário rentabilíssimo [que] não está fazendo algo diferente de usar a força dessa difusão como publicidade para seu produto. Configura um uso parasitário de minha imagem pública. De resto, não gosto da febre de condomínios fechados no litoral ao norte de Salvador", disse.
A advogada Simone Kameneitz, que representa Caetano, disse já ter notificado a empresa para mudar o nome do empreendimento. Se o pedido não for atendido, o cantor vai processar a Odebrecht. A Odebrecht Representações, que disse não ter sido notificada, não pretende mudar o nome do condomínio porque o vocábulo "Tropicália" não pertence a Caetano.
A advogada Simone Kameneitz, que representa Caetano, disse já ter notificado a empresa para mudar o nome do empreendimento. Se o pedido não for atendido, o cantor vai processar a Odebrecht. A Odebrecht Representações, que disse não ter sido notificada, não pretende mudar o nome do condomínio porque o vocábulo "Tropicália" não pertence a Caetano.
Luis G.
|
às
17:21
|
Marcadores:
língua,
n'importe quoi
Enviar por e-mail
Postar no blog!
Compartilhar no X
Compartilhar no Facebook
21 de setembro de 2011
Em Liliput
Mãe internada, passo algumas horas no quarto do hospital, como acompanhante. Volta e meia tiram o paciente do sossego. Uma injeção aqui, um exame ali, e assim vai. Noto que, independentemente do sexo, há entre os enfermeiros um modo comum de tratamento dos idosos.
– Vamos lá? Ok, devagar, agora. Levanta a perninha.
– Me dá o bracinho. Isso, assim mesmo.
– Não deu certo. Vamos ter que pegar outra veinha. (apurei o ouvido: isso mesmo, não era veiazinha, ou véinha).
E dá-lhe agulhinha, camisolinha e xixizinho.
Me imaginei paciente com 85 anos de idade, soterrado por tantos -inhos.
Corta pr’um flashback. Em A bolsa amarela, de Lygia Bojunga, a protagonista Raquel (pré-adolescente, pelo que lembro), a certa altura, desabafa:
– Por que é que todo mundo fala comigo desse jeito, no diminutivo? Será que acham que não entendo, se falarem de maneira normal?
Sei não, mas desconfio que ainda exista uma porção de velhos (vamos lá, direto ao ponto, “pessoas da Terceira/ Melhor Idade” é de lascar) com o espírito de Raquel. Ou será que Liliput é aqui?
Luis G.
|
às
07:30
|
Marcadores:
língua
Enviar por e-mail
Postar no blog!
Compartilhar no X
Compartilhar no Facebook
27 de julho de 2011
Erros criativos
Texto recente de Braulio Tavares sobre erros de leitura – “Missa dos Infernos” em vez da placa verdadeira, “Missa dos Enfermos”, “Desajuste ama”, em vez de “Jesus te ama” etc – trouxe à baila uma cena que deve acontecer diariamente, em tudo quanto é canto.
Ainda mais saboroso é quando os erros de leitura se combinam com os de audição, contaminando a linguagem cotidiana. Você certamente conhece alguém que more numa casa germinada, que numa determinada situação tenha matado dois coelhos com uma caixa d’água, que tenha distraído o dente, que esteja furando um poço cartesiano, e por aí vai.
Minhas leituras erradas rolam, sobretudo, com sinopse de filmes na tevê. Nada que um bom detergente aplicado à lente dos óculos não resolva. Mas dia desses pintou uma leitura curiosa. Cena: dentro do ônibus, perto de Itapecerica. Vejo pintado no muro ao longe, à beira da estrada: “FORRÓ PUC”. Bacana, forró universitário está - ou esteve? - na moda, afinal. Mas, logo da PUC, com as Perdizes a mais de 40 kms de distância? Terão aberto um campus novo por aqui?
Foi quando “esqüintei" (leia assim mesmo, com trema; inventei agora: hélas, o português não tem verbo tão bom quanto squint) pra ver melhor. “FORRO PVC”.
Luis G.
|
às
18:36
|
Marcadores:
língua
Enviar por e-mail
Postar no blog!
Compartilhar no X
Compartilhar no Facebook
20 de maio de 2011
"Os livro"
A polêmica envolvendo o livro Por uma vida melhor continua rendendo. Começa com reportagens e comentários equivocados: segundo estes, o MEC estaria dando sinal verde a uma obra que valida pessoas que dizem “Os livro”. Dio Santo, problema de leitura, e grave, aqui. No jornal de hoje, mais dois exemplos assustadores. Transcrevo:
“Nada mais representativo da burrice do que essa teoria do falar errado” (...) “‘Não discrimine quem fala errado. Ele está certo’. Discriminação é chamar quem ensina certo de errado.”
José Sarney, na Folha.
“Rosa, Adoniran, Gullar, João Cabral, Lalá e Bananére não fizeram escola, nem esta era sua intenção. Continuaram únicos. Artistas podem e devem fugir da norma. Já os professores e linguistas têm de aderir a ela, como meros funcionários da língua que são”.
Ruy Castro, na mesma página.
“Teoria do falar errado”?! “Funcionários da língua”?! Cabe a ótima argumentação de um linguista, a esse respeito. Aqui.
Luis G.
|
às
11:33
|
Marcadores:
língua
Enviar por e-mail
Postar no blog!
Compartilhar no X
Compartilhar no Facebook
16 de maio de 2011
O revisor na moita
“O brasileiro é cordial! A penúltima placa que o Gervásio pendurou na empresa em São Bernardo: ‘Aqui não é festa de rodeio pra usar botina e calça justa socada no rego, se eu ver alguém aqui vestindo essas joças, vou fazer esse caubói fora da lei virar uma eguinha pocotó na festa de Barretos. Conto com todos. Assinado: Gervásio’. Seguuuuuura peão!”
(Coluna de Zé Simão, na FSP de hoje).
Fictícia ou não, a placa traz uma construção interessante. Repare que Gervásio não diz “se eu vir”, no subjuntivo, como mandaria a norma culta.
Claro. Nem Gervásio, nem você, nem ninguém (ok, consigo imaginar umas duas ou três exceções, talvez os mesmos que mantêm o “cujo” em sua fala) diz:
“Ok, se a gente se vir amanhã, eu te entrego o livro.”
Taí um caso em que a obrigação do revisor é ficar na moita. Ponto para Zé Simão.
Luis G.
|
às
12:25
|
Marcadores:
língua
Enviar por e-mail
Postar no blog!
Compartilhar no X
Compartilhar no Facebook
6 de maio de 2011
Cujo
a. “O irlandês Colm Tóibín, de quem está chegando ao país o romance Brooklyn, fala sobre a experiência da imigração”.
b. “O irlandês Colm Tóibín, que o romance Brooklyn está chegando ao país, fala sobre a experiência da imigração”.
c. "O irlandês Colm Tóibín, cujo romance Brooklyn está chegando ao país, fala sobre a experiência da imigração".
Qual das frases acima você acha que foi publicada no jornal (é fato: uma delas saiu no Estadão)?
Se respondeu, sem titubear, letra c, errou. É o que naturalmente se esperaria, já que o “cujo” é o conectivo adequado à norma culta. Estivesse eu na situação de revisor, mui provavelmente faria a sugestão de alterar, na forma da frase c.
Porém...
O redator do jornal optou pela alternativa a. Eis um simples reflexo do destino que “cujo” vem tomando na língua, o mesmo do Tiranossauro Rex. Da língua oral, ele praticamente desapareceu. Na escrita, ainda resiste, mas agonizando.
O fato de um jornal com a tradição do Estadão trazer uma construção como essa aponta para um sinal interessante, de novos ares na língua.
Em tempo: a frase b lhe soa estranha? Bem, é como falariam zilhões de brasileiros, na linguagem cotidiana.
Luis G.
|
às
12:02
|
Marcadores:
língua
Enviar por e-mail
Postar no blog!
Compartilhar no X
Compartilhar no Facebook
6 de abril de 2011
O passado perfeito
Tem um quê de acaciano, este post, mas vá lá. Para um tempo verbal do passado do inglês, nossa língua apresenta três possibilidades. I had done pode virar eu tinha feito, eu havia feito ou eu fizera. É o três-em-um linguístico.
Taí, a diversão do tradutor. Atentar para a variação. A depender do contexto, caberá mui bem, a terceira destas opções. Embora já extinta da língua oral, é perfeitamente adequada à escrita, e ao registro formal. Eu tinha + particípio, por sua vez, transmite naturalidade, mas seu uso excessivo corre o risco de encher o saco do leitor.
Sem falar dos vários casos em que o “passado perfeito” deles vira passado simples, no vernáculo. Ilustrando: “When he arrived, I had already been here”. Se, ao traduzir, você tascar um “eu já estivera”, dança.
Tropecei inúmeras vezes neste tempo verbal, na mais recente tradução. Um bom motivo para manter afiados, o radar e o ouvido (impiedoso, diante de certas palavras e combinações).
Particularmente saborosa é a sua nomenclatura. “Passado perfeito”. Parece Proust – só falta a madeleine. O português não deixa por menos, e beira o surreal: “Pretérito mais que perfeito”. Transcendeu o próprio Criador. É o passado com um plus a mais, como diria a moçada da publicidade.
Luis G.
|
às
08:37
|
Marcadores:
língua,
traduções
Enviar por e-mail
Postar no blog!
Compartilhar no X
Compartilhar no Facebook
8 de fevereiro de 2011
A língua nas escolas. Ou: "Eu odeio Português!"
1. “Vocês devem ter lido que minhas empresas demitiram 1.900 funcionários no último mês. São os reflexos imediatos da crise. Acabou a fantasia. Há um mundo bem pior, todo feito pra você”. (Blog do Walt Disney).
2. “Gosto de roçar minha língua na língua de Caetano Veloso. Mas sou espada”. (Blog do Camões).
3. “O Aldo Rebelo sugeriu que eu fizesse micropostagens numa rede de relacionamentos chamada Gorjear. Mas eu não entendi bem o que ele quis dizer com isso”. (Blog do Aurélio).
4. "Sobre o blog. Serve para reunir o que estava disperso e dar um corpo
às minhas ideias”. (Blog do Tiradentes).
5. “Uma vida não suscetível de exame não vale a pena ser vivida.
Cunhei essa frase para um laboratório de análise. Mas como socrático não pude cobrar”. (Blog do Sócrates).
6. “Comecei este diário virtual para registrar memórias involuntárias, provocadas pela ingestão de um ovo de padaria”. (Blog do Proust).
A coletânea de frases acima é retirada do site Blogs do Além (ver link ao lado). Me ocorreu fazer esta mini-compilação ao deparar com alguns exercícios da tarefa de casa de meu filhote, para suas aulas de Língua Portuguesa. Impressão de ter sido catapultado para meus bancos escolares de 30 anos atrás: praticamente não há diferença entre o que fazíamos na época, e hoje. Até mesmo o pronome “vós” continua sendo usado. Em frases descontextualizadas, claro.
O material acima serve de contraponto ao conteúdo do livro didático de nossos dias. Seja na mídia impressa ou na internet, há um manancial de textos à disposição dos professores, e que poderiam ser trabalhados em sala. Expressões de duplo sentido, referências literárias, históricas, ao cinema e ao nosso cancioneiro, a polissemia das palavras, a intertextualidade (comunicação entre diferentes textos), os neologismos: está tudo ali, e explorado por meio do humor. Melhor ainda: tudo gratuito, a poucos cliques do internauta.
Não faz muito tempo, eu dava aulas de reforço de português a um aluno quando ele me pediu que fizéssemos a revisão do conteúdo da prova em que não tinha se saído bem. Uma questão exigia o conhecimento da função sintática das palavras em itálico:
1. O candidato que tinha 35 anos foi eleito.
2. O candidato, que tinha 35 anos, foi eleito.
Ele não tinha a mais remota ideia de estar diante de um adjunto no primeiro caso; de um aposto, no segundo. Mas tinha uma habilidade que falta a muitos: a capacidade de ler. Espremeu a letra no espaço reservado para a resolução, explicando com precisão a diferença de sentido entre as frases. A atitude da mestra, qual foi? Considerou errada, a resposta!
E assim continua a caça aos Objetos Direto e Indireto, às Orações Transitivas Diretas e quejandos. Afinal, mais dia menos dia, a atendente da padaria pode perguntar ao seu filho do Ensino Médio/Fundamental se o “Tipo A” do litro de leite que ele está comprando é adjunto adnominal ou coisa que o valha. É preciso estar atento e forte.
2. “Gosto de roçar minha língua na língua de Caetano Veloso. Mas sou espada”. (Blog do Camões).
3. “O Aldo Rebelo sugeriu que eu fizesse micropostagens numa rede de relacionamentos chamada Gorjear. Mas eu não entendi bem o que ele quis dizer com isso”. (Blog do Aurélio).
4. "Sobre o blog. Serve para reunir o que estava disperso e dar um corpo
às minhas ideias”. (Blog do Tiradentes).
5. “Uma vida não suscetível de exame não vale a pena ser vivida.
Cunhei essa frase para um laboratório de análise. Mas como socrático não pude cobrar”. (Blog do Sócrates).
6. “Comecei este diário virtual para registrar memórias involuntárias, provocadas pela ingestão de um ovo de padaria”. (Blog do Proust).
A coletânea de frases acima é retirada do site Blogs do Além (ver link ao lado). Me ocorreu fazer esta mini-compilação ao deparar com alguns exercícios da tarefa de casa de meu filhote, para suas aulas de Língua Portuguesa. Impressão de ter sido catapultado para meus bancos escolares de 30 anos atrás: praticamente não há diferença entre o que fazíamos na época, e hoje. Até mesmo o pronome “vós” continua sendo usado. Em frases descontextualizadas, claro.
O material acima serve de contraponto ao conteúdo do livro didático de nossos dias. Seja na mídia impressa ou na internet, há um manancial de textos à disposição dos professores, e que poderiam ser trabalhados em sala. Expressões de duplo sentido, referências literárias, históricas, ao cinema e ao nosso cancioneiro, a polissemia das palavras, a intertextualidade (comunicação entre diferentes textos), os neologismos: está tudo ali, e explorado por meio do humor. Melhor ainda: tudo gratuito, a poucos cliques do internauta.
Não faz muito tempo, eu dava aulas de reforço de português a um aluno quando ele me pediu que fizéssemos a revisão do conteúdo da prova em que não tinha se saído bem. Uma questão exigia o conhecimento da função sintática das palavras em itálico:
1. O candidato que tinha 35 anos foi eleito.
2. O candidato, que tinha 35 anos, foi eleito.
Ele não tinha a mais remota ideia de estar diante de um adjunto no primeiro caso; de um aposto, no segundo. Mas tinha uma habilidade que falta a muitos: a capacidade de ler. Espremeu a letra no espaço reservado para a resolução, explicando com precisão a diferença de sentido entre as frases. A atitude da mestra, qual foi? Considerou errada, a resposta!
E assim continua a caça aos Objetos Direto e Indireto, às Orações Transitivas Diretas e quejandos. Afinal, mais dia menos dia, a atendente da padaria pode perguntar ao seu filho do Ensino Médio/Fundamental se o “Tipo A” do litro de leite que ele está comprando é adjunto adnominal ou coisa que o valha. É preciso estar atento e forte.
Luis G.
|
às
10:01
|
Marcadores:
língua
Enviar por e-mail
Postar no blog!
Compartilhar no X
Compartilhar no Facebook
Assinar:
Postagens (Atom)