21 de novembro de 2011

32'

Da série “Descobertas que abalaram o planeta”.
“Mulheres guardam segredo por apenas 32 minutos, aponta estudo". (Portal Terra).

18 de novembro de 2011

O dia em que Karl Marx pegou o busão

No ônibus em São Paulo. Distraído, bato o olho na frase do cartaz:
“No trânsito do capital, a preferência é da vida”.
Refeito do assombro inicial, passo a ruminar a mensagem. Num período de breves segundos, acompanho o inusitado percurso da sociologia, que deixa o confinamento da Torre de Marfim acadêmica e se mistura à prosaica rotina do trabalhador. Na volta para casa, cansado da labuta, o cidadão é presenteado, pela prefeitura da metrópole, com uma joia do pensamento sociológico. Pérolas aos povos!
Causa espanto e admiração a capacidade de síntese do autor: a denúncia do capitalismo, da voracidade dos especuladores, da lenta destruição das relações humanas. Poesia, sociologia e ciência política são condensadas numa frase que, destrinchada, renderia dissertação de mestrado.
Súbito, ergo os olhos, noto que o cartaz é uma edição do Jornal do Ônibus. Campanha educativa. Releio a frase, e aí me dou conta do pequeno tropeço na leitura, que me fez – para continuar com a imagem do trânsito – ignorar a “preferencial”:
“No trânsito da capital, a preferência é da vida”.
E assim Marx viveu seu momento de proletário. Um momento breve, já que aristocrata nenhum é de ferro.

16 de novembro de 2011

Pela volta de Escobar

Eis o post que venho tentando colocar no ar desde o início da tarde, e que minha conexão 3G – também conhecida como segura-na-mão-de-deus-e-vai – só agora permitiu.
***
Dia desses, ela confessou que sua atividade – sobretudo as falas em público – é um “ato de fé”. Encarar a plateia não é uma situação que lhe dá, digamos, espasmos de prazer.
Meses atrás, em Paraty, ela esteve sob os holofotes. Mas, num acesso dos “cinco minutos”, decidiu inovar no roteiro. Munida de um laptop e do powerpoint, trouxe Escobar de volta. Sim, o felino que arrebatou o público há mais de dois anos, no blog dela.
Súbito, Escobar e sua turma ganham vida novamente. A autora comenta um e outro aspecto sobre o nascimento da série, seu momento criativo etc, enquanto o público, olhos grudados no telão, vai ao delírio.
Parêntese: você só entenderá o sentido disso tudo quando vir as imagens, quando ler os textos que as acompanham.
A partir dali, a conversa poderia enveredar pelos clássicos da literatura ocidental, pela análise da influência de Justin Bieber na literatura infanto-juvenil ou por dicas de jardinagem. Pouco importava: o público já tinha sido fisgado.
Daqui a pouco, às 20h, no Sesc Belenzinho, ela (quem? Ora, a Mulher, claro) volta a encontrar seus leitores. Abandonados, meio jururus, mas esperançosos, os fãs clamam: Volta, Escobar!!

15 de novembro de 2011

Três anos

Há exatos três anos, a Mulher e eu, moradores de Sampa, conversávamos numa padoca da Vila Madalena. Sábadão de manhã.
– Que tal darmos uma olhadinha naquela região que conheço, São Lourenço, ver o que há de chácara por ali?
Beleza, pensei ao ouvir. Dali já pegamos estrada.
Entramos na primeira das três chácaras que nos seriam mostradas. Bastou pisarmos na varanda do lugar, o primeiríssimo, sentimos: é aqui mesmo. Fim da busca.
Crau. Agarramos a chance, ali mesmo. Tresloucados desse jeito. Planejamento Zero. Intuição Cem.
E aqui estamos, sem a mínima vontade de largar a vida na roça.
Tin-tim para nós.

18 de outubro de 2011

O silêncio das línguas cansadas

Desde minha estreia na blogosfera, há pouco mais de um ano (considerando o tempo da casa virtual antiga), passei por diversas fases. No início, o gás era total: um post por dia. Logo percebi que não teria fôlego, e desacelerei. Desde então, mantive a média de dois ou três post semanais. Uma e outra pausa, em momentos de crise.
Pois bem. O momento, agora, é bem particular: sensação de estar numa sala lotada de aeroporto, trocentas pessoas falando, um vozerio que se mistura a uma música ambiente indesejada, e de que nada mais faço além de acrescentar ruído à sala.
A dúvida, que nasceu há algum tempo, e que não para de saltitar no trapézio da mente é: continuo?
Quisera ter o fôlego de um Braulio Tavares, com invejável diversidade de assuntos e uma coluna diária (não folga nem nos domingos!), ou o talento de um Antonio Prata, para levar ao ar uma única e saborosa crônica semanal.
Mas claro que buscar espelhos ou ideais é tolice: o blog é meu, o texto é meu, e não faz sentido que ele seja mero decalque de alguém.
Cabe, sim, prestar atenção ao que venho sentindo, e que tenta responder à dúvida acima. Uma frase, que traduz muito bem esse sentimento, me ocorreu dia desses, ao cantarolar melodias do passado (recados mandados pelo universo? Sintonia fina com a música? Ambos, desconfio. Fato é que o cancioneiro nacional me assopra a trilha sonora perfeita, em inúmeros momentos). Trata-se de um verso de “Casa no Campo”, canção de Zé Rodrix: “Eu quero o silêncio das línguas cansadas”.
De hoje em diante, portanto, a atualização do blog acontecerá (quando e se acontecer) de modo completamente aleatório. Somente quando me der “os cinco minutos”. Assim, respeitando primeiramente a mim mesmo, poderei mostrar respeito com o leitor.

6 de outubro de 2011

Pausa

Nunca dei muita trela a esta história de precisar “recarregar as baterias”. Sempre me pareceu conversa fiada. Pois bem, por motivos que não cabem aqui, ela agora faz sentido.
Até breve, então.