17 de janeiro de 2012
P ou H
– É pê ou agá?
Sou pego de surpresa pela pergunta da velhinha. Feita à queima-roupa, quando eu estava prestes a descer do ônibus.
P ou H? De que catzo ela estará falando? Fiz cara de paisagem e balbuciei um “Como?”
– É pê ou agá, esse ônibus?
Imagine o sufoco por que passa um gringo. Anos a fio estudando o português para, súbito, deparar com uma pergunta dessas.
Em frações de segundo, reviro os arquivos da memória, tentando ligar os pontos e decifrar o enigma.
Cacos de informação: o ônibus está a caminho do campus universitário. P e H. Será uma agrônoma, querendo detalhes sobre acidez do solo, pH, essas bossas? Mas àquela hora da manhã? Improvável. É pê ou agá? Duas linhas e duas rotas diferentes, deve ser isso... Mas que linhas, meu Deus? Joguei a toalha:
– Ahn, não sei direito, precisa perguntar ao cobrador.
Desembarco e reparo na plaqueta por detrás do busão: 701-U.
Nem pê nem agá. Ônibus já acelerando, me contive pra não dar um berro:
– É “U” !!
Como acompanhar o espantoso poder de síntese do cérebro feminino?
Luis G.
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10:32
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11 de janeiro de 2012
Mais uma coisa...
O plano era que o blogueiro estivesse no meio das férias. Fato é que toda decisão que tomo e toda conclusão a que chego acabam tendo uma validade de, em média, meia hora. Se muito. Taí, o grande barato da vida.
Desta vez rolou um episódio que uma amiga classificaria de hot sync. Partilho contigo, leitor.
Mulher e eu assistíamos à TV Cultura, quando começou a passar um clipezinho educativo. Um casal de jovens pescava e papeava. O rapazote fica indignado com o fato de a empregada ter esquecido de colocar o lanche deles na cesta, algo assim. Uma indignação fake, mas ok. Dali a instantes, a garota começa a adverti-lo sobre o uso correto dos pronomes, que ele tinha empregado. Coisas como “eu o vi”, em vez de “eu vi ele” e quejandos. Passou-lhe um pito para que aprendesse como usar corretamente a língua “em situações formais que pedem o uso da norma culta”.
Isso mesmo. Diálogo que aconteceu durante uma pescaria.
Pasmo total. Assombro.
Ok. Dia seguinte, estou navegando à deriva na internet, quando deparo com a prova do vestibular que rolara na véspera. Numa das questões da prova de Língua Portuguesa, uma declaração de Monteiro Lobato:
“A correção da língua é um artificialismo, continuei episcopalmente. O natural é a incorreção. Note que a gramática só se atreve a meter o bico quando escrevemos. Quando falamos, afasta-se para longe, de orelhas murchas”.
Alma lavada, ufa!
Luis G.
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15:29
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4 de janeiro de 2012
Férias
O blogueiro entra em férias. Tradutor, revisor e assemelhados (gosto desta categoria, dá um ar exótico à profissão) continuam na ativa.
Volto no fim de janeiro. Até lá.
29 de dezembro de 2011
Feliz Ano Velho
Não é mera frase de efeito. Como você bem sabe, este é o nome do romance livro de estreia (autobiográfico) de Marcelo Rubens Paiva, que acabo de ler. Uma prosa deliciosa, num relato leve, bem humorado, sem qualquer frescura estilística. Sem a mínima dose de autopiedade. Altamente recomendável para todos aqueles que têm a tendência de encarnar o papel de vítima.
Livraço. E pensar que o cara só tinha 20 anos ao escrever aquilo.
Um belo modo de terminar o ano.
Até mais.
Luis G.
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19:42
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22 de dezembro de 2011
Jingles (Bells)
Estrela brasileira do céu azul, iluminando de norte a sul, mensagem de amor e paz, nasceu Jesus, chegou Natal. Papai Noel voando a jato pelo céu trazendo um Natal de felicidade, e um Ano Novo cheio de prosperidade.
A fiel leitora, balzaquiana ou além, certamente lembrará disso. E também da bela escala que desce e sobe, começando em “Papai Noel”, terminando em “céu”.
A empresa aérea foi para o buraco, mas o jingle ficou. Aliás, como já fomos bons em jingles, não?
E esta outra, que martelou nossos tímpanos.
Dezembro vem o Natal, os presentes mais bonitos, as lembranças mais humanas. Até os entes queridos, todos vão comprar nas ............................................. [se não tem cachê, omito o nome]. Em todos os lares, a paz seja total, e mais os nossos votos de Feliz Natal.
...
Taí, é o que dá, ter uma memória musical que registra absolutamente tudo. Da linha melódica de um moteto de Bach ao novo hit do Bonde do Tigrão.
Luis G.
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19 de dezembro de 2011
Fast-forward
“It’s as if we become addicted to the satisfaction of knowing. But that knowing doesn’t last for long. We may know about the why of this, but what about the why of that? Fast-forward and we’re left with the why of the world”.
Trecho do livro que estou traduzindo. Ganha um Christmas pudding caseiro quem conseguir traduzir o verbo sublinhado acima usando menos de quatro ou cinco palavras.
Não paro de me surpreender com a concisão da língua inglesa. Saboroso, isso.
E ainda tem quem acredite que as máquinas poderão fazer nosso trabalho. Tsc, tsc...
Luis G.
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14 de dezembro de 2011
Led Zeppelin
Descobri o grupo aos 14 anos, por intermédio de um amigo que era vidrado nos caras. Ele chegava a deixar o cabelo parecido com o de Robert Plant. Botava os LPs pra tocar, e ficava dizendo: “Ouve só isso, cara!”. E eu... “É mesmo, muito bom”. Sem grande convicção.
Enquanto esse meu amigo mergulhava de cabeça no rock’n’roll, o caçula dos Fragoso recebia doses cavalares de MPB em casa. O Led, portanto, nunca fez muito minha cabeça. Diferentemente do Pink Floyd, por exemplo. Banda que sempre me impressionou muito.
Corte. Três décadas mais tarde. Na caixa de e-mails, pipoca o convite do editor: tradução de um livro sobre o Led Zeppelin. Topa?
Eita, como não?!
Prazo apertado, dividimos o bolo da tradução. O resultado, aí está, recém-saído da fornalha:
Whole Lotta Led Zeppelin – A história ilustrada da banda mais pesada de todos os tempos, de Jon Bream (org.). Tradução de Gustavo Mesquita, Anna Paola Monteiro e deste escriba. Editora Agir.
Atualização: estive hoje na livraria em Sampa e folheei o livro. Putisgrila!!! Que maravilha de edição. De encher os olhos. Deu gana de começar a ouvir os caras.
Atualização: estive hoje na livraria em Sampa e folheei o livro. Putisgrila!!! Que maravilha de edição. De encher os olhos. Deu gana de começar a ouvir os caras.
Luis G.
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17:23
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