22 de outubro de 2011
Felicidade
Luis G.
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18 de outubro de 2011
O silêncio das línguas cansadas
Desde minha estreia na blogosfera, há pouco mais de um ano (considerando o tempo da casa virtual antiga), passei por diversas fases. No início, o gás era total: um post por dia. Logo percebi que não teria fôlego, e desacelerei. Desde então, mantive a média de dois ou três post semanais. Uma e outra pausa, em momentos de crise.
Pois bem. O momento, agora, é bem particular: sensação de estar numa sala lotada de aeroporto, trocentas pessoas falando, um vozerio que se mistura a uma música ambiente indesejada, e de que nada mais faço além de acrescentar ruído à sala.
A dúvida, que nasceu há algum tempo, e que não para de saltitar no trapézio da mente é: continuo?
Quisera ter o fôlego de um Braulio Tavares, com invejável diversidade de assuntos e uma coluna diária (não folga nem nos domingos!), ou o talento de um Antonio Prata, para levar ao ar uma única e saborosa crônica semanal.
Mas claro que buscar espelhos ou ideais é tolice: o blog é meu, o texto é meu, e não faz sentido que ele seja mero decalque de alguém.
Cabe, sim, prestar atenção ao que venho sentindo, e que tenta responder à dúvida acima. Uma frase, que traduz muito bem esse sentimento, me ocorreu dia desses, ao cantarolar melodias do passado (recados mandados pelo universo? Sintonia fina com a música? Ambos, desconfio. Fato é que o cancioneiro nacional me assopra a trilha sonora perfeita, em inúmeros momentos). Trata-se de um verso de “Casa no Campo”, canção de Zé Rodrix: “Eu quero o silêncio das línguas cansadas”.
De hoje em diante, portanto, a atualização do blog acontecerá (quando e se acontecer) de modo completamente aleatório. Somente quando me der “os cinco minutos”. Assim, respeitando primeiramente a mim mesmo, poderei mostrar respeito com o leitor.
6 de outubro de 2011
Pausa
Nunca dei muita trela a esta história de precisar “recarregar as baterias”. Sempre me pareceu conversa fiada. Pois bem, por motivos que não cabem aqui, ela agora faz sentido.
Até breve, então.
30 de setembro de 2011
Dia do Tradutor
Em tempos bicudos como os nossos, é um bálsamo deparar com gente generosa.
“Para mim, traduzir um bom ou um mau redator dá a mesma satisfação. Tenho prazer em traduzir texto mal escrito. O desafio é maior. A luta é maior. O triunfo, mais saboroso”.
Danilo Nogueira, tradutor. Depoimento dele, em seu blog.
Luis G.
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16:34
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28 de setembro de 2011
Estreia...
... nova categoria no blog: n’importe quoi. Literalmente, a expressão francesa significa “qualquer coisa, não importando exatamente o quê”. Mas seu sentido mais comum se aproxima do whatever, em inglês. Em português, nonsense pode servir como sinônimo. Que ainda acho fraco: n’importe quoi sintetiza muito bem a bizarrice de uma situação.
Vamos lá, então. Caetano Veloso inaugura a seção, em grande estilo. Notícia do jornal de hoje:
Caetano tenta vetar 'Tropicália' como nome de condomínio
Caetano Veloso quer impedir o uso do termo "tropicália" para batizar um conjunto de prédios de alto padrão que está sendo erguido pela Odebrecht, em Salvador.
(...)
Caetano Veloso quer impedir o uso do termo "tropicália" para batizar um conjunto de prédios de alto padrão que está sendo erguido pela Odebrecht, em Salvador.
(...)
"Um empreendimento imobiliário rentabilíssimo [que] não está fazendo algo diferente de usar a força dessa difusão como publicidade para seu produto. Configura um uso parasitário de minha imagem pública. De resto, não gosto da febre de condomínios fechados no litoral ao norte de Salvador", disse.
A advogada Simone Kameneitz, que representa Caetano, disse já ter notificado a empresa para mudar o nome do empreendimento. Se o pedido não for atendido, o cantor vai processar a Odebrecht. A Odebrecht Representações, que disse não ter sido notificada, não pretende mudar o nome do condomínio porque o vocábulo "Tropicália" não pertence a Caetano.
A advogada Simone Kameneitz, que representa Caetano, disse já ter notificado a empresa para mudar o nome do empreendimento. Se o pedido não for atendido, o cantor vai processar a Odebrecht. A Odebrecht Representações, que disse não ter sido notificada, não pretende mudar o nome do condomínio porque o vocábulo "Tropicália" não pertence a Caetano.
Luis G.
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17:21
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27 de setembro de 2011
Vocapeople
Octeto vocal. Fazem música a capella, ou seja, sem instrumentos. Comentários como os que li, na mídia francesa, do estilo “Um talento colossal”, sempre me deixam com um pé atrás. Bem, fui conferir.
Arrebatador. Não encontro outra palavra para resumir o espetáculo. Saí do teatro em estado de graça.
Em 1h30, o grupo faz um medley de canções pop dos mais variados estilos, incluindo árias de óperas. Intercalam as canções com breves gags, interagindo com a plateia.
O que chama a atenção é que, sob o pretexto de serem “seres intergalácticos”, se comunicam com o público praticamente sem usar a língua (quando o fazem, isso se dá ora em francês, ora em inglês); dão prioridade ao gestual e, claro, à música.
Visito o site deles, e descubro, entre outras coisas, que o octeto (de origem israelense), é composto por 24 cantores, que se revezam, três de cada naipe (dois “naipes” fazem a percussão vocal). É o que lhes permite apresentar-se simultaneamente em Nova York e em Paris. Na capital francesa, a temporada atual dura 6 meses, de 4ª a domingo, e num teatro com capacidade para... 850 pessoas! (Só de pensar no espaço dedicado à música vocal entre nós... bem, melhor nem pensar).
Na página deles no Facebook, você encontra uma amostra do trabalho do grupo.
Vontade de voltar a Paris só para vê-los novamente. Quem sabe (delírio, quimera...) um empresário amalucado ainda traz o grupo a Pindorama.
Luis G.
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26 de setembro de 2011
O rebelde
Neste livro, Osho faz uma longa e detalhada caracterização dos três tipos de pessoas dispostas a "mudar o mundo": o reformista, o revolucionário e o rebelde. O trecho abaixo é um retrato que traduz com enorme fidelidade o que tem sido a minha busca.
“As qualidades do rebelde são multidimensionais. Primeiro, o rebelde não acredita em nada a não ser na própria experiência. A verdade dele é sua única verdade: nenhum profeta, nenhum messias, nenhum salvador, nenhuma santa escritura, nenhuma tradição antiga pode lhe dar a verdade. (...)
Um rebelde respeita sua própria independência e também respeita a independência de todas as outras pessoas. Ele respeita a sua própria divindade e respeita a divindade de todo o universo. Todo o universo é seu templo – é por isso que ele abandonou os pequenos templos feitos pelo homem. Todo o universo são suas sagradas escrituras – é por isso que ele abandonou todas as sagradas escrituras escritas pelo homem. Mas não é por arrogância, é para empreender uma humilde busca. O rebelde é tão inocente quanto uma criança.
A segunda dimensão será não viver no passado, que não existe mais, e não viver no futuro, que não existe ainda, mas viver no presente com a máxima consciência e espírito alerta que se possa conseguir. Em outras palavras, viver consciente no momento. (...)
A terceira dimensão é que o rebelde não está interessado em dominar os outros. Ele não tem avidez pelo poder, porque essa é a coisa mais feia do mundo. (...) É essa avidez pelo poder que acaba levando aos conflitos, às competições, à inveja e finalmente às guerras. (...)
O rebelde penetra no seu mundo interior de olhos abertos, sem nenhuma ideia do que está procurando. Ele continua polindo sua inteligência. Continua tornando seu silêncio mais profundo, sua meditação mais profunda, para que o que quer que esteja oculto dentro dele venha à superfície; mas ele não tem ideias preconcebidas sobre o que está procurando.
Ele é basicamente um agnóstico. Essa palavra tem que ser lembrada, pois ela descreve uma das qualidades mais básicas. Existem crentes que acreditam em Deus, existem ateus que não acreditam em Deus e existem agnósticos que simplesmente dizem, ‘Não sabemos ainda. Vamos buscar, então vamos ver. Não podemos dizer nada antes de termos procurado em todos os recônditos do nosso ser’. O rebelde começa com ‘eu não sei’. É por isso que eu digo que ele é como uma criança pequena, inocente”.
Transformando crises em oportunidades, de Osho. Ed. Cultrix, tradução de Denise C. Rocha Delela.
Luis G.
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10:53
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